17 de novembro de 2011

Íra!



Dormi em má companhia, esperava alguém do lado mas só tive a mágoa. Senti dentro de mim uma revolta e desencanto que me fizeram cair no sono rapidamente, tamanho anestésico liberado no meu organismo após dissolvida a adrenalina.

Senti ódio, contabilizei os instantes e vi o desequilíbrio. Dormi não querendo sentir aquilo, mas senti e o sono  foi perturbador, fui acordado várias vezes pela consciência oculta da minha culpa em me entregar e confiar, fui incomodado pelo peso dessa falta de compromisso que senti.

E acordei. Acordei com os lábios cerrados e a boca mordida, acordei com as sobrancelhas juntas e o olhar para frente, os ouvidos focados somente no que me importava e atenção garantida, desprezando distrações. Levantei da cama e no banho me vi no espelho e senti fome, somente fome, mas não qualquer fome, era uma fome que vinha dessa mágoa alimentada durante o sono e manifestada com os lábios partidos.

Meu café da manhã? Íra! Sentimento indigesto, mas que alimenta e dá energia, mais do que qualquer outro, que uma vez provado, vicia. Troquei o gosto amargo pelo azedo estampado no rosto, refletido nos músculos tensos e nervos ainda mais nervosos. Foi a primeira refeição do dia e será o que me alimentará até que me deem algo melhor pra comer, que me sustente além das minhas expectativas e frustrações em gente que não vale a pena.







E ponto final.


















Um comentário:

Braz disse...

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